Nota de Alerta nº 04/2026 confirma circulação do vírus em animais e mosquitos no Norte do estado. Identificar sinais em equídeos e aves é decisivo para evitar casos em humanos.
A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA-PR) publicou a Nota de Alerta nº 04/2026, com o panorama atualizado da Febre do Nilo Ocidental (FNO) em animais e vetores no estado. O documento foi encaminhado ao CRBio-07 para ampliar a divulgação entre os profissionais inscritos, porque o monitoramento do vírus depende da atuação de quem trabalha em campo.
O que é a Febre do Nilo Ocidental
A FNO é uma arbovirose causada pelo vírus do Nilo Ocidental (Orthoflavivirus nilense, ou WNV). Na natureza, ele circula entre aves silvestres, que amplificam o vírus, e mosquitos, principalmente do gênero Culex. Equídeos e seres humanos são hospedeiros acidentais e terminais, e podem desenvolver quadros neurológicos graves.
Em humanos, cerca de 80% das infecções não têm sintomas. Aproximadamente 20% apresentam uma forma febril leve, e menos de 1% evolui para encefalite, meningite ou paralisia flácida aguda. Como a doença costuma passar despercebida em pessoas, aves e equídeos se tornam os principais sentinelas da circulação viral.
A SESA disponibilizou detalhes e dados por meio das notas publicadas em seu site.
O cenário nacional
A Nota Técnica nº 79/2026 do Ministério da Saúde mostra que o vírus já foi registrado em todas as macrorregiões do país. De 2014 a 2026, foram 17 casos humanos confirmados e um provável, além de 12 detecções em equídeos. Só em 2026 foram confirmados quatro casos humanos, dois em Santa Catarina e dois em São Paulo, estados vizinhos ao Paraná.
Desde maio de 2026, a FNO integra a lista de doenças de notificação compulsória imediata: todo caso humano suspeito deve ser comunicado em até 24 horas. O Ministério também iniciou em 2026 a descentralização do diagnóstico molecular para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen), o que amplia a capacidade de detecção nos estados.
Por que o(a) Biólogo(a) é peça-chave
A vigilância passiva do vírus se apoia em dois sinais que muitas vezes são percebidos primeiro por Biólogos(as) em campo, em fazendas, unidades de conservação, centros de triagem de fauna, zoológicos, áreas urbanas e projetos de monitoramento ambiental:
- equídeos (cavalos, mulas e jumentos) com sinais neurológicos, como tremores, falta de coordenação ou fraqueza;
- mortalidade anormal de aves, silvestres ou sinantrópicas.
O registro pode ser feito pelos cidadãos por meio do Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo), da Fiocruz, disponível como aplicativo gratuito, tanto nas plataformas IOS ou Android.
O Ministério da Saúde destaca ainda que o Culex quinquefasciatus, o pernilongo comum, está amplamente distribuído no Brasil. Por isso a vigilância também precisa alcançar as áreas urbanas, para reduzir o risco de urbanização da transmissão.
Como se proteger em campo
Para quem vive, trabalha ou viaja por áreas com circulação do vírus, as orientações são usar repelente e roupas compridas, e evitar exposição em mata ou área rural ao entardecer, à noite e ao amanhecer, horários de maior atividade do Culex. Telas em portas e janelas e mosquiteiros são indicados em locais com alta infestação.
Uma só Saúde
A resposta à Febre do Nilo Ocidental envolve saúde, agricultura e meio ambiente, com a atuação conjunta de SESA-PR, ADAPAR, Ministério da Saúde, MAPA, MMA, ICMBio e IAT. O CRBio-07 apoia a iniciativa e convida cada profissional a ler a nota, compartilhar com colegas e notificar qualquer suspeita.
Clique aqui e baixe a Nota de Alerta nº 04/2026






