Conselho Regional de Biologia da 7ª Região - Paraná

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Educação empreendedora ainda está fora das grades curriculares de Biologia

Quinta, 05 Outubro 2017 14:56

Por Antônio Menegatti

Os avanços tecnológicos cada vez mais velozes estão transformando as relações de trabalho, alterando algumas profissões e até colocando outras em risco. Com a crise econômica e o mercado saturado em praticamente todas as áreas, a saída para muitos profissionais tem sido empreender. Mas a pergunta que fica é: os futuros Biólogos estão sendo preparados para criar e gerir empresas?

A resposta é não, segundo as professoras universitárias e conselheiras do Conselho de Biologia do Paraná, Verginia Mello Perin Andriola (9.764/07-D) e Norma Catarina Bueno (18.248/07-D), que também são, respectivamente, coordenadora e integrante da CFAP - Comissão de Formação e Aperfeiçoamento Profissional do CRBio-07.

“Pela análise das matrizes curriculares dos cursos de Ciências Biológicas do Paraná a que tivemos acesso, apenas a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) oferta a disciplina Empreendedorismo, mas como ela pertence ao Núcleo de Diversificação ou Aperfeiçoamento da grade curricular, não é obrigatória, podendo ou não ser cursada de acordo com a escolha do aluno. A maior parte das instituições de ensino superior (IES) não tem componentes curriculares dessa natureza”, analisa Verginia.

Para Norma, a solução está em incluir, nas matrizes curriculares dos cursos, componentes ligados à educação empreendedora. “Os alunos também poderão ser orientados a cursarem esses componentes como disciplinas optativas em cursos que tradicionalmente os ofertam”, sugere.

De acordo com Fernando Ferrari de Morais (47.489/07-D), Fiscal Biólogo do Conselho, não existem informações específicas compiladas em um banco de dados sobre a quantidade de Biólogos que partem para iniciativas empreendedoras. “Minha percepção, pela emissão de Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) e Termos de Responsabilidade Técnica (TRTs), é que boa parte das iniciativas estão na área do Meio Ambiente e Sustentabilidade”, afirma. A ART consiste no registro das atividades desenvolvidas pelo profissional Biólogo, enquanto o TRT é um documento da pessoa jurídica registrada no CRBio, que indica o Biólogo Responsável Técnico pela instituição ou empresa.

Empresas juniores

Se a educação empreendedora ainda não aparece nas grades curriculares das IES, algumas iniciativas já chamam a atenção. De acordo com a Federação das Empresas Juniores do Estado do Paraná (Fejepar), quatro universidades públicas contam com empresas juniores no curso de Ciências Biológicas. 

Três delas são estaduais: Bioma Consultoria Ambiental (Universidade Estadual de Londrina – UEL), Ecoalize (Universidade Estadual de Maringá – UEM) e BioCem Jr (Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG). A Ecos - Empresa Júnior de Biologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) completa a lista. Nenhuma das empresas juniores é afiliada à Fejepar, conforme informações de Ana Flávia Zanon, diretora de Expansão da Federação.

Projetos e serviços

Em Curitiba, 20 alunos da graduação atuam na Ecos, fundada em 2010. A empresa júnior trabalha com educação ambiental, ecoturismo, programa de gerenciamento de resíduos sólidos, plano de arborização e análise microbiológica da água, entre outros serviços.

Caroline Macedo, diretora-presidente da Ecos, revela que a experiência trouxe desenvolvimento pessoal e aprendizado sobre o cotidiano de uma empresa. “Além disso, fazer parte da Ecos trouxe conhecimento em coisas que a graduação não abrange, como planejamento financeiro, liderança, gestão de pessoas. São temas que dificilmente são trazidos até a universidade, principalmente em cursos em que o enfoque é pesquisa ou licenciatura”, completa.

Já a Ecoalize, da UEM, foi fundada em 2012. Atualmente, 18 alunos executam projetos, consultorias e eventos na área ambiental. Larissa David Gama, presidente da Empresa, observa que o curso de Ciências Biológicas possui uma grade completa para preparar os futuros Biólogos para a docência e a pesquisa. “Mas, quando se trata de extensão, especialmente na área de consultoria, vejo que não há atividades no curso que consigam atingir o aluno da forma como a Ecoalize atinge. Como futura Bióloga, me sinto privilegiada em realizar projetos pertinentes à minha profissão, sob orientação de profissionais formados, ainda na graduação”, avalia Larissa.

Biólogo SA foto 2

Alunos de Ciências Biológicas da UFPR em atividade de Ecoturismo, pela Ecos, empresa júnior
Crédito: Arquivo Ecos

 

 

Educação empreendedora ainda está fora das

grades curriculares de Biologia no Paraná

Por Antônio Menegatti

Os avanços tecnológicos cada vez mais velozes estão transformando as relações de trabalho, alterando algumas profissões e até colocando outras em risco. Com a crise econômica e o mercado saturado em praticamente todas as áreas, a saída para muitos profissionais tem sido empreender. Mas a pergunta que fica é: os futuros Biólogos estão sendo preparados para criar e gerir empresas?

A resposta é não, segundo as professoras universitárias e conselheiras do Conselho de Biologia do Paraná, Verginia Mello Perin Andriola (9.764/07-D) e Norma Catarina Bueno (18.248/07-D), que também são, respectivamente, coordenadora e integrante da CFAP - Comissão de Formação e Aperfeiçoamento Profissional do CRBio-07.

“Pela análise das matrizes curriculares dos cursos de Ciências Biológicas do Paraná a que tivemos acesso, apenas a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) oferta a disciplina Empreendedorismo, mas como ela pertence ao Núcleo de Diversificação ou Aperfeiçoamento da grade curricular, não é obrigatória, podendo ou não ser cursada de acordo com a escolha do aluno. A maior parte das instituições de ensino superior (IES) não tem componentes curriculares dessa natureza”, analisa Verginia.

Para Norma, a solução está em incluir, nas matrizes curriculares dos cursos, componentes ligados à educação empreendedora. “Os alunos também poderão ser orientados a cursarem esses componentes como disciplinas optativas em cursos que tradicionalmente os ofertam”, sugere.

De acordo com Fernando Ferrari de Morais (47.489/07-D), Fiscal Biólogo do Conselho, não existem informações específicas compiladas em um banco de dados sobre a quantidade de Biólogos que partem para iniciativas empreendedoras. “Minha percepção, pela emissão de Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) e Termos de Responsabilidade Técnica (TRTs), é que boa parte das iniciativas estão na área do Meio Ambiente e Sustentabilidade”, afirma. A ART consiste no registro das atividades desenvolvidas pelo profissional Biólogo, enquanto o TRT é um documento da pessoa jurídica registrada no CRBio, que indica o Biólogo Responsável Técnico pela instituição ou empresa.

Empresas juniores

Se a educação empreendedora ainda não aparece nas grades curriculares das IES, algumas iniciativas já chamam a atenção. De acordo com a Federação das Empresas Juniores do Estado do Paraná (Fejepar), quatro universidades públicas contam com empresas juniores no curso de Ciências Biológicas.

Três delas são estaduais: Bioma Consultoria Ambiental (Universidade Estadual de Londrina – UEL), Ecoalize (Universidade Estadual de Maringá – UEM) e BioCem Jr (Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG). A Ecos - Empresa Júnior de Biologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) completa a lista. Nenhuma das empresas juniores é afiliada à Fejepar, conforme informações de Ana Flávia Zanon, diretora de Expansão da Federação.

Projetos e serviços

Em Curitiba, 20 alunos da graduação atuam na Ecos, fundada em 2010. A empresa júnior trabalha com educação ambiental, ecoturismo, programa de gerenciamento de resíduos sólidos, plano de arborização e análise microbiológica da água, entre outros serviços.

Caroline Macedo, diretora-presidente da Ecos, revela que a experiência trouxe desenvolvimento pessoal e aprendizado sobre o cotidiano de uma empresa. “Além disso, fazer parte da Ecos trouxe conhecimento em coisas que a graduação não abrange, como planejamento financeiro, liderança, gestão de pessoas. São temas que dificilmente são trazidos até a universidade, principalmente em cursos em que o enfoque é pesquisa ou licenciatura”, completa.

Já a Ecoalize, da UEM, foi fundada em 2012. Atualmente, 18 alunos executam projetos, consultorias e eventos na área ambiental. Larissa David Gama, presidente da Empresa, observa que o curso de Ciências Biológicas possui uma grade completa para preparar os futuros Biólogos para a docência e a pesquisa. “Mas, quando se trata de extensão, especialmente na área de consultoria, vejo que não há atividades no curso que consigam atingir o aluno da forma como a Ecoalize atinge. Como futura Bióloga, me sinto privilegiada em realizar projetos pertinentes à minha profissão, sob orientação de profissionais formados, ainda na graduação”, avalia Larissa.

Última modificação em Quinta, 05 Outubro 2017 15:04